Em que parte da vida eu me tornei uma negação em fazer amizades

by - sexta-feira, novembro 07, 2014

Ando me perguntando em que parte da vida eu me tornei uma negação em fazer amizades. Não que eu tenha sido popular e cercada por vááários amigos algum dia na minha vida, é que simplesmente me aproximar das pessoas, apesar da timidez, não era lá nenhuma missão impossível. Porém hoje eu já não posso dizer o mesmo. Fazia um tempo que não escrevia algo tão pessoal então tenha paciência ou desista por aqui ok?

Minha pré-adolescência foi basicamente aguentar as brincadeiras maldosas de outras crianças. Sabe como é né, gordinha, usando óculos, aparelho e lotada de espinha eu não era nenhuma miss da quinta série e eu sabia disso (e os coleguinhas não precisavam me lembrar) então quanto mais despercebida eu passasse, melhor, e era basicamente disso que se tratava minhas amizades naquela época; eram garotas que andavam comigo e tudo, mas principalmente se destacavam mais do que eu e mantinham as atenções voltadas para elas e não pra mim. Era na internet, onde ninguém podia me ver, que as amizades aconteciam com mais facilidade. Mas contrariando a inércia que era a minha vida naquela época eu mudei de escola, tirei o aparelho, cresci um pouco mais e a gordura foi pro lugar certo, continuo cega como um morcego, mas enfim... Conheci pessoas novas e pela primeira vez tive aquela sensação de "seremos amigos para sempre!" Sabe quando você se encaixa de verdade num grupo? Eu fui aceita. Foi o que eu senti e juro, imaginei que carregaria todos eles pro resto da vida comigo


A partir do momento em que encontrei pessoas com quem eu podia, verdadeiramente, me abrir e conversar e sair e fazer qualquer coisa junto eu passei a me perguntar "por que meus pais não têm amigos?" e passei a acreditar que sim, amizades são pra vida toda.

Daí veio faculdade, intercâmbio, algumas decepções, surpresas agradáveis (a gente fica surpreso com as amizades mais inesperadas que podem surgir)... E depois de um ano fora eu estava de volta e fui lindamente recepcionada, por amigos e colegas, inclusive. Mas tudo estava diferente. Eu tive um choque de realidade tão grande ao me dar conta de como as coisas (e as pessoas) mudaram enquanto eu estava fora que foi preciso muito, muito tempo pra digerir toda a informação. Eu me vi completamente isolada e deslocada em quase todos os lugares que estava, quase como que na minha pré-adolescência e me peguei pensando "Paula, que ingenuidade a sua achar que as pessoas continuariam as mesmas se nem você é a mesma de antes." Nem ao menos tenho direito de exigir isso de alguém. Encarei pela primeira vez o fato de que não, amizade não é um tipo de amor que nunca termina (vi essa frase num facebook da vida um dia desses) e talvez seja uma maneira meio pessimista de encarar as coisas mas como meu pai sempre disse "pessoas entram e saem da sua vida mais fácil do que você possa imaginar, e o quanto antes você entender e aceitar isso, melhor". Não é como se a amizade verdadeira estivesse 100% à prova de tempo e de mudança.

As diversas fases da vida funcionam como peneira pra quase tudo o que você possui, inclusive amizades, e se no fim de cada transição ainda sobrar alguma coisa, considere-se com sorte. Não porque os amigos se tornam necessariamente babacas ou fura-olhos (as vezes acontece) ou que você se tornou uma péssima companhia (isso também pode acontecer) mas simplesmente porque cada um, passando por suas próprias transições, toma rumos diferentes, conhece pessoas e ambientes diferentes, se interessa por coisas diferentes, passa a ter ideais, ideias e opiniões diferentes. Algumas vezes não é o suficiente para que amigos se distanciem, outras, acaba sendo inevitável e sinceramente, em alguns relacionamentos como esse, não importa o quanto um corra atrás, as pessoas acabam simplesmente se separam, e não acho que isso significa que a amizade nunca foi verdadeira.

Estou exatamente nessa fase de transição. E me sinto impotente observando algumas pessoas que estavam ligadas a mim tão intimamente se distanciando cada vez mais sem que eu possa fazer muita coisa. Eu fui peneirada da vida de alguns amigos... Mas por outro lado eu mesma estou me dando conta de que algumas amizades já não me fazem bem. E por fim, no saldo atual, alguns poucos, porém, bons amigos continuam por perto. Parece mais fácil na teoria, mas na prática é um pouco mais difícil pra mim, mas enquanto esse processo não se finaliza de vez eu vou me preparando para  a próxima fase, me esforçando para voltar a ser sociável como eu um dia fui, com as expectativas um tanto baixas, devo admitir, mas com certa ansiedade (não com uma conotação ruim).


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