Ring - Koji Suzuki

terça-feira, janeiro 27, 2015

Fazia algum tempo que pretendia ler o livro que deu origem ao mangá e aos três filmes Ringu (japonês), The Ring Virus (coreano) e The Ring (O Chamado, americano) e finalmente consegui! Minha motivação para procurar o livro e lê-lo no computador mesmo (pois não existem edições em português) aumentou ao assistir a versão coreana, que segundo várias críticas foi o mais fiel à obra. Esta versão possui tantas diferenças das outras que fiquei realmente curiosa pra saber o que realmente aconteceu na história original. O livro em geral é incrível! Em todos os filmes existem algumas pontas soltas que acabamos aceitando por se tratar de algo sobrenatural, mas o livro nos explica exatamente o porque de cada fato estar ali.

Apesar de ter gostado muito do livro o fato do personagem principal ser um homem e não uma mulher foi um pouco decepcionante pra mim. Os filmes mostram mulheres, mães... De certa forma a motivação delas é um pouco diferente da motivação de Asakawa (o personagem original) até certo ponto da trama. Asakawa parece ser um personagem indiferente e frio no início, apenas interessado em escrever um bom artigo como jornalista a partir dos eventos estranhos que envolveram parte da família de sua esposa. A medida que a história se desenvolve a preocupação e o amor pela família (esposa e filha, que também assistem o vídeo sem querer) ficam mais nítidos e aparentemente é o que o leva a seguir em frente, mas ainda assim, acho que uma mulher tem um apelo maior por conta da maternidade e a força e o carinho que isto implica.

Depois de me acostumar com Asakawa como personagem principal deste livro da série, e também com seu amigo estranho, Ryuiji, que ao assistir a cópia do vídeo passa a ajudá-lo nas investigações, a leitura foi cheia de surpresas e estalos do tipo "Aaaah agora tudo faz sentido". Ficamos sabendo que Sadako era fruto de um relacionamento ilegítimo entre um psiquiatra renomado e Shizuko, que também possuía poderes sobrenaturais. Os três foram expostos à humilhação por jornalistas, médicos e pelo próprio público que por hora acreditavam nos poderes da mulher, e outra a crucificavam como farsante, o que levou a mãe ao suicídio e o pai ao sanatório. Além disso, como é explicado vagamente nos filmes Sadako era capaz de, além de outras coisas, gravar tudo o que via em superfícies, na mente de outras pessoas e também em meios como televisões através de ondas eletromagnéticas e dessa forma as ondas de seus pensamentos malignos coincidiram com a gravação que um garoto comum iniciou despreocupadamente na cabine de um chalé; ou seja, as ondas que continham as imagens de Sadako estavam vagando há muito tempo só nunca haviam sido projetadas antes. Além disso umas das partes mais emocionantes para mim foram os momentos em que ambos chegam a conclusão de que a fita se trata de uma "gravação" feita por olhos humanos, possivelmente o de uma mulher, ao notarem pequenos "apagões", quase imperceptíveis, que correspondiam ao piscar dos olhos de alguém e também por inferirem (já quase no final do livro) que as imagens contidas no vídeo não foram imagens aleatórias ou selecionadas por Sadako para causar medo (como parece ser no filme americano) mas sim o que ela viu segundos antes de morrer. Como Ryuiji comenta com o amigo, diz-se que momentos antes da morte o que vemos diante nossos olhos são as passagens mais marcantes de nossa vida e foi exatamente isso que o vídeo mostrou, a vida dela antes de morrer. Por esse motivo, o vídeo gravado por Sadako não era necessariamente assustador como em O Chamado. No livro as imagens mostradas no vídeo são enigmáticas, mas as sensações causadas pela fita é que são assustadores (e incrivelmente descritas pelo autor). A sensação de sufocamento, os cheiros, as mãos se tornando pegajosas e pesadas... E isso é algo realmente muito difícil de transportar para o cinema, e foi algo que os americanos tentaram suprir com mais imagens estranhas.

A motivação de Sadako fica mais clara também, mas isso também está bastante claro nos filmes japones e coreano. O que realmente me surpreendeu no livro (e isto está presente apenas no filme coreano) é o fato de Sadako possuir, além de poderes sobrenaturais uma condição interessante. Ela sofre de feminização masculina, então geneticamente falando ela é um homem, mas externamente, possui características femininas. Ela é estuprada pelo médico de seu pai e por ter passado, além disso, por tantas outras desgraças na vida como a humilhação pelos poderes que ela e a mãe possuíam, o suicídio da mãe, a morte eminente do pai, possivelmente ordenou telepaticamente que o médico a matasse e a jogasse no poço. O filme americano não chega a explicar o porque de Samara nunca ter se vingado do pai adotivo por exemplo, mas o livro deixa claro que Sadako não se vingou do médico porque, apesar de não querer ter sido estuprada (lógico), ela quis morrer.





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4 comments

  1. Seu post ficou muito bom e interessante. Não me animei a ler porque sou muito fraca para ler/assistir estórias de terror :/

    Beijos~~
    Fragmentada ♥

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    1. ahuahuahua lendo o livro é meio triste, não dá tanto medo eu acho XD mas sou suspeita pra falar ^^

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  2. Sabe que nunca assisti a esses filmes? HAHA, só algumas cenas, e somente da versão norte-americana. Mas agora que descobri que tem um livro - e eu gosto muito mais deles! - fiquei bem curiosa a respeito da história. Uma pena não existir versão nacional do livro! Vou dar uma procurada pra ver se encontro algum epub em inglês mesmo. Um beijo!

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    1. A leitura vale a pena!! Acho que não vai ser arrepender ^^

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