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Paula Januzzi ✩

 


Demorou pouco mais de 2 meses para eu criar coragem e vir aqui escrever um pouquinho da morte do Tambor, meu coelhinho. Falei em terapia, conversei com as pessoas, conversei comigo mesma. Achei que tinha processado tudo e dias depois percebi que não... Foi um processo totalmente não linear, como deve ser com o luto em geral né? Tambor esteve presente na minha vida por nove anos. Nove aninhos de muito carinho, brincadeira, couve e bananas. Um filhotinho que cabia dentro do nosso sapato fez a família inteira (que nem gostava tanto de bicho) se afeiçoar a ele.

Vinha me preparando para este momento já há algum tempo, afinal o bichinho já estava numa idade avançada e as idas ao veterinário ficavam cada vez mais comuns. Mas nada me preparou pra ver meu bebê perder o equilíbrio e o controle pra fazer xixi, ou ter dificuldade para respirar, parar de comer e beber água... Meu maior medo era que ele partisse sozinho, que eu não estivesse por perto quando ele morresse... Mas eu estava ali. Tive a oportunidade de passar os últimos momentos com ele e, apesar de ter sido muito doloroso e gráfico, a passagem foi breve, como ele merecia.

E depois? O que fazer? Seu corpinho foi doado para necropsia, para depois ser enterrado; então levei até a clínica e o deixei lá. Voltei para a casa com o pensamento "nunca mais vou vê-lo"...  Juntei suas coisinhas, separei o que deveria ser jogado no lixo e o que seria doado, com dor no coração de me desfazer das coisas mais inúteis (como a seringa que eu usava para dar seu remedinho diário). Limpei a gaiolinha e fiquei por um tempo sem entrar no ambiente em que ele costumava dormir. Fui ocupando meu tempo com atividades extras até me dar conta de que eram atividades demais pra mim. Também senti raiva por ouvir comentários como "mas coelho nem é bichinho de estimação é?"... Era como se o mundo precisasse saber o quão maravilhoso aquele serzinho era, o quanto o Tambor significava pra mim. Demorou um tempo para entender que, no final das contas, ninguém nunca iria saber o quanto eu amava o Tambor, e o quanto a perda dele mexeu comigo. E não importa! O meu luto é meu. E tudo bem chorar por causa de "um coelho". Era o meu coelho. O meu Tambor.

Agora, com o coração mais tranquilo, posso vir aqui e prestar uma pequena homenagem a ele. O blog tem sido um diário dos momentos mais marcantes da minha vida, inclusive a chegada do Tambor, então nada mais justo do que um post de despedida, não é mesmo?

Hoje sinto falta de conversar com ele, de cuidar dele, dos pelinhos e da personalidade ranzinza, porém carinhosa dele. Me pego chorando um pouquinho ainda, ao pensar nele. A dor vai dando lugar pra saudade e praquele sentimento nostálgico também, mas o meu amor vai continuar o mesmo.

Você estará pra sempre comigo. Meu melhor amigo. Meu neném. Meu Tambor.







terça-feira, agosto 30, 2022 No comments
Depois de mais de um ano longe do blog (quantas vezes será que já escrevi isso aqui?) estou voltando com coisas muito bacanas pra mostrar. Como havia contado há vários meses atrás eu decidi fazer a segunda graduação que a universidade me oferecia, o Bacharelado em Design. Tinha minhas dúvidas do quão proveitoso seria o curso, se era a decisão certa sair do emprego pra dedicar mais dois anos à faculdade, essas coisas... Mas me formei ontem, mais uma vez e me dei conta de que foi realmente uma boa decisão!

Não foi um curso tão fácil como imaginei. Estava esperando uma graduação bem tranquila, simples e descomplicada, o que me deixava ainda mais receosa em seguir ou não por este caminho, afinal, a gente quer aprender pra valer né? Mas me surpreendi com os obstáculos e aprendizados dessa etapa. Cada dia ficou mais claro o quão privilegiada eu sou por ter uma família tão incrivelmente maravilhosa, que me apoia sempre e compra as minhas brigas. Foram alguns trabalhos e apresentações frustradas e puxões de orelha merecidos. A primeira vez que tive vergonha de apresentar um trabalho de faculdade porque não estava bom o suficiente. A primeira vez que briguei (e brigaram comigo) de verdade durante o desenvolvimento de um projeto, mas tudo sendo resolvido depois comendo hamburguer. Aprendi a engolir sapos e trabalhar duro para ganhar credibilidade. Chorei de raiva nesse processo, vocês sabem que choro fácil. Aprendi um pouco mais a socializar, ainda com certa lentidão, mas aprendi. Aprendi o valor da instituição e do trabalho que ela executa para a comunidade e me senti realizada por fazer parte, de alguma forma, dele. Chorei ainda mais ao ver colegas sendo atacados e seu profissionalismo sendo questionado. Chorei mas me posicionei em defesa daquilo em que acredito. Conheci pessoas maravilhosas e não estou nem brincando, elas realmente são maravilhosas. Na mesa do bar as conversas foram ficando mais sérias mas a afinidade foi aumentando ainda mais...

Mas agora nesses últimos meses iniciou-se a etapa final deste período: a produção do TCC. Minha ideia foi clara desde o início e teve uma receptividade muito boa pelos professores, ou quase todos. Meu trabalho foi o desenvolvimento de um guia ilustrado do livro O Silmarillion, de J.R.R Tolkien. Design editorial é algo que eu gosto muito e ilustração então, nem se fala e mesmo que alguns docentes questionassem o quão "design" aquele projeto fosse, eu não iria fazer outra coisa. Apresentei a proposta e todos pareciam interessados mas um pouco preocupados com a extensão do projeto e a quantidade de coisas que ainda estavam por fazer em tão pouco tempo. Eu garanti a eles que conseguiria e estabeleci metas e datas e partir daí foram tardes de pesquisa e noites viradas escrevendo relatório; semanas atrás de semanas na frente do computador ilustrando. A ansiedade voltou, a compulsão alimentar e a insônia também. Fazia o que tinha que ser feito durante o dia mas à noite não conseguia me livrar do pensamento de que ainda poderia estar trabalhando. Algumas vezes terminei uma ilustração por dia, outras demorei de dois a três. Não saía aos finais de semana, na maior parte do tempo só queria estar em casa. Engordei 4 ou 5 quilos mas a minha preocupação não era se a calça não ia mais servir ou se não estava tão bonita, eu queria ver aquele livro pronto (relatos de que uma moça maltrapilha vagava pelo campus, era eu!).

Meu computador estragou nas últimas semanas que eu tinha para finalizar o projeto, as impressões não ficavam boas, precisei de livros caros para a produção do relatório e meus pais estavam ali, o tempo inteiro como sempre estiveram, dando suporte, tanto financeiro quanto emocional (porque imagina segurar essa barra que é ser pai e mãe de uma filha ansiosa). Fizemos investimentos pesados pro nosso orçamento aqui em casa pra que tudo ficasse bonito como ficou e sou eternamente grata por ter tido essa oportunidade. Na véspera de entregar o trabalho eu ainda não estava satisfeita e com medo de apresentar meu livro ao lado de outros projetos que provavelmente estariam muito mais profissionais que o meu. Já havia previsto todos os possíveis pontos perdidos nas falhas que poderiam existir, mas, para a minha surpresa, a cada professor da banca, a cada comentário que eu recebi aquela tarde, minha confiança foi aumentando e o orgulho de ter produzido aquele impresso me tomou por completo. Ver que profissionais experientes gostaram do que havia sido feito e reconheciam o meu talento foi algo muito importante pra mim. Saí de lá com um 100 e com a ideia fixa de que eu sou boa no que eu faço SIM!











Várias coisas se passaram pela minha cabeça nesses últimos semestres. "Irão me julgar por fazer mais uma graduação? Afinal, estudar é fácil demais". "Será que sou uma boa designer? Será que isso é bom ou apenas mediano?". E saí deste curso com as certezas: Não, estudar não é fácil! Estudar, se dedicar, superar seus limites não é fácil e não vou deixar ninguém me tirar esse mérito! Sim eu sou uma boa designer. Eu sou uma boa ilustradora e graças a quem me acompanha e me apoia isso fica ainda mais claro pra mim. Ainda tenho muito a aprender e evoluir e vou precisar me lembrar disso em momentos em que a dúvida surgir novamente mas vou procurar não me esquecer nunca da minha capacidade!


quinta-feira, dezembro 21, 2017 2 comments
Olá!!! Então eu já parei no desafio das 52 semanas logo na... segunda semana?? :"D Não!! Mas infelizmente nos últimos dias muita coisa aconteceu e eu não consegui postar no blog. O projeto continua mas hoje eu só vim contar algumas novidades.

Mas Paula, que que aconteceu? Bem, logo na semana do último post, que já faz um mês (eu juro que não me dei conta que esse tempo todo se passou), eu pedi demissão da agência de publicidade onde estava trabalhando! Existe mais de um motivo pra isso. O primeiro e mais importante foi a minha vontade de me dedicar, ainda, aos estudos. Ingressei no segundo ciclo do bacharelado interdisciplinar em design e pretendo, ainda esse ano, tentar a prova de mestrado em Artes Visuais e tecnologias. O horário de trabalho não era muito flexível, o local era bem longe tanto da minha casa quanto da universidade o que tornaria a rotina muito difícil. Mas e o dinheiro Paula? Ah o dinheiro... Resolvi começar atividades paralelas enquanto isso e surgiu a oportunidade de dar a primeira aula de desenho da minha vida! E eu gostei! - Quem segue no instagram ou acompanha a página do Facebook viu que montei uma apostila de desenho para iniciantes e tudo mais, elas são oferecidas aos alunos sem nenhum custo a parte, e em breve estará disponível em PDF para compra também.

Sair do emprego me pareceu, de certa forma, irresponsável. Me perguntei por várias vezes se foi uma boa decisão. O local de trabalho era bom, o chefe era ótimo e acredito que desempenhava o serviço de maneira satisfatória, resumindo era um emprego bom! Mas por algum motivo eu estava sempre nervosa, ansiosa e preocupada e acho que o pior de tudo era que eu não acreditava em nada do que estava produzindo, foi quando me dei conta de que não gostava nem um pouco de publicidade, o que foi um choque já que bem antes de formar eu já me imaginava trabalhando numa agência dessas (mas na prática foi tudo muito diferente); aí entra mais um fator que teve seu peso na hora de tomar a decisão.

Mas enfim as aulas começaram dia 4 e o primeiro semestre é mais voltado para design de produtos e embalagens, o que me causou um certo desânimo na hora mas acabou sendo uma surpresa bem agradável, inclusive já temos textos e livros pra ler e trabalhos pra fazer, Também me matriculei em uma auto-escola para facilitar no deslocamento pra universidade (já que as aulas terminam muito tarde), espero ser uma boa motorista porque eu gastei meu último salário todo nisso :"D

E... finalmente pintei o cabelo (dançando)! Ok foram só as pontas mas eu pintei! Eu gostei tanto que não quero parar de pintar nunca mais. Eu sempre fui medrosa e insegura então eu as vezes demoro muito para fazer determinadas coisas. Tinha medo de estragar o cabelo, de ficar feio, de não gostar... Um tanto de gente me desencorajou, mas eu estabeleci um prazo para fazer e fiz. E gente é tão simples né, é só cabelo, é só tinta, não precisava de tanto drama (obviamente eu procurei um profissional confiável pra não fazer besteira, eu mesma não sei nem fazer cronograma capilar ):). É só cabelo, é só tinta mas mesmo assim faz uma diferença danada. Fiquei satisfeita e me senti mais bonita então foi uma boa escolha :3

  


Por esses motivos e mais alguns outros as últimas semanas foram meio caóticas e me afastei um pouquinho do blog. Nem tem nada de tão interessante aqui hoje, mas mantenho as postagens do facebook semanalmente (tem sempre um rabisco novo por lá) Wonder Mitsu Artwork e também no instagram (mas lá também tem umas aleatoriedades e coelhos) é só acessar pelo rodapé aqui da página :3 Enfim, é isso, beijos e até a próximo post!
terça-feira, abril 19, 2016 3 comments


Ando me perguntando em que parte da vida eu me tornei uma negação em fazer amizades. Não que eu tenha sido popular e cercada por vááários amigos algum dia na minha vida, é que simplesmente me aproximar das pessoas, apesar da timidez, não era lá nenhuma missão impossível. Porém hoje eu já não posso dizer o mesmo. Fazia um tempo que não escrevia algo tão pessoal então tenha paciência ou desista por aqui ok?

Minha pré-adolescência foi basicamente aguentar as brincadeiras maldosas de outras crianças. Sabe como é né, gordinha, usando óculos, aparelho e lotada de espinha eu não era nenhuma miss da quinta série e eu sabia disso (e os coleguinhas não precisavam me lembrar) então quanto mais despercebida eu passasse, melhor, e era basicamente disso que se tratava minhas amizades naquela época; eram garotas que andavam comigo e tudo, mas principalmente se destacavam mais do que eu e mantinham as atenções voltadas para elas e não pra mim. Era na internet, onde ninguém podia me ver, que as amizades aconteciam com mais facilidade. Mas contrariando a inércia que era a minha vida naquela época eu mudei de escola, tirei o aparelho, cresci um pouco mais e a gordura foi pro "lugar certo", continuo cega como um morcego, mas enfim... Conheci pessoas novas e pela primeira vez tive aquela sensação de "seremos amigos para sempre!" Sabe quando você se encaixa de verdade num grupo? Eu fui aceita. Foi o que eu senti e juro, imaginei que carregaria todos eles pro resto da vida comigo


A partir do momento em que encontrei pessoas com quem eu podia, verdadeiramente, me abrir e conversar e sair e fazer qualquer coisa junto eu passei a me perguntar "por que meus pais não têm amigos?" e passei a acreditar que sim, amizades são pra vida toda.

Daí veio faculdade, intercâmbio, algumas decepções, surpresas agradáveis (a gente fica surpreso com as amizades mais inesperadas que podem surgir)... E depois de um ano fora eu estava de volta e fui lindamente recepcionada, por amigos e colegas, inclusive. Mas tudo estava diferente. Eu tive um choque de realidade tão grande ao me dar conta de como as coisas (e as pessoas) mudaram enquanto eu estava fora que foi preciso muito, muito tempo pra digerir toda a informação. Eu me vi completamente isolada e deslocada em quase todos os lugares que estava, quase como que na minha pré-adolescência e me peguei pensando "Paula, que ingenuidade a sua achar que as pessoas continuariam as mesmas se nem você é a mesma de antes." Nem ao menos tenho direito de exigir isso de alguém. Encarei pela primeira vez o fato de que não, amizade não é um tipo de amor que nunca termina (vi essa frase num facebook da vida um dia desses) e talvez seja uma maneira meio pessimista de encarar as coisas mas como meu pai sempre disse "pessoas entram e saem da sua vida mais fácil do que você possa imaginar, e o quanto antes você entender e aceitar isso, melhor". Não é como se a amizade verdadeira estivesse 100% à prova de tempo e de mudança.

As diversas fases da vida funcionam como peneira pra quase tudo o que você possui, inclusive amizades, e se no fim de cada transição ainda sobrar alguma coisa, considere-se com sorte. Não porque os amigos se tornam necessariamente babacas ou fura-olhos (as vezes acontece) ou que você se tornou uma péssima companhia (isso também pode acontecer) mas simplesmente porque cada um, passando por suas próprias transições, toma rumos diferentes, conhece pessoas e ambientes diferentes, se interessa por coisas diferentes, passa a ter ideais, ideias e opiniões diferentes. Algumas vezes não é o suficiente para que amigos se distanciem, outras, acaba sendo inevitável e sinceramente, em alguns relacionamentos como esse, não importa o quanto um corra atrás, as pessoas acabam simplesmente se separam, e não acho que isso significa que a amizade nunca foi verdadeira.

Estou exatamente nessa fase de transição. E me sinto impotente observando algumas pessoas que estavam ligadas a mim tão intimamente se distanciando cada vez mais sem que eu possa fazer muita coisa. Eu fui peneirada da vida de alguns amigos... Mas por outro lado eu mesma estou me dando conta de que algumas amizades já não me fazem bem. E por fim, no saldo atual, alguns poucos, porém, bons amigos continuam por perto. Parece mais fácil na teoria, mas na prática é um pouco mais difícil pra mim, mas enquanto esse processo não se finaliza de vez eu vou me preparando para  a próxima fase, me esforçando para voltar a ser sociável como eu um dia fui, com as expectativas um tanto baixas, devo admitir, mas com certa ansiedade (não com uma conotação ruim).


sexta-feira, novembro 07, 2014 No comments

Para desejar Feliz Ano Novo em japonês dizemos:
Akemashite Omedetou (あけましておめでとう) ou simplesmente Ake Omee (あけおめー).

Chegamos ao último post do ano e fico feliz em lembrar que essa é a terceira virada de ano do blog. O Ugly Thoughts conta agora com 91 postagens, cada uma delas contando um pouquinho sobre mim, sobre meu crescimento, dificuldades, alegrias...

Ainda é difícil pensar em 2012 e 2013 como anos distintos (complicado de entender?). O intercâmbio, que começou em Agosto do ano passado e terminou em Julho desse ano, fez com que essa coisa de "2012 foi ruim", "2013 foi bom" não fizesse mais sentido. 2012 começou, sim, conturbado a ponto de eu querer entregar os pontos e sumir por uns tempos; mas a viagem chegou, eu fui, passei por tudo que já comentei aqui no blog e 2013 começou pra mim na terra do sol nascente...

Mas eu voltei, e esse ano não me preparou apenas as boas venturas do intercâmbio, mas também a volta pro Brasil, o desafio de continuar com a vida rotineira de antes, faculdade, saudade do outro lado do mundo... Então esses dois anos pra mim estão fundidos em um só período de mudanças, amadurecimento e muitas descobertas.

Hoje me conheço um pouco melhor que antes, mas ainda estou aprendendo a lidar com coisas que eu nem sabia que existiam em mim; Por outro lado alguns velhos medos ainda estão aqui, guardadinhos a sete chaves e no ano que está por vir, quero tirar tudo da gaveta, esparramar sobre a cama e jogar fora o que não quero mais: insegurança, preguiça, comodismo, ressentimentos...

Então desejo a todos um ano novo maravilhoso, um ano de muito crescimento, muitas alegrias e amores. Uma pitada de dificuldade também faz bem de vez em quando né?


terça-feira, dezembro 31, 2013 3 comments
Não vou mentir que estive procrastinando para, finalmente, fazer esse post. Estou sim, bem atarefada, mas nos momentos em que poderia escrever aqui simplesmente não consegui. Pra mim, parecia que não escrever sobre o fim do intercâmbio poderia deixá-lo mais vivo em mim
Sei que soa estranho, mas mesmo depois de chegar ao aeroporto do Rio, voltar pra casa e dormir na minha cama, tinha a sensação de que no dia seguinte iria pra faculdade de bicicleta, conversaria com as meninas do dormitório e visitaria a loja de hyaku-en pra comprar mais bugingangas. Acreditem, demorou um pouquinho pra eu aceitar que voltei.

A última semana foi incrível! Planejei ir aos lugares que mais gostava, comer o prato mais gostoso do meu restaurante favorito e me divertir com os amigos! E mesmo com tanto planejamento não consegui fazer tudo. Inclusive não pude ver alguns amigos queridos antes de partir. No último dia fui acompanhada pro aeroporto e não consegui conter as lágrimas quando estava para entrar no salão de embarque. Na primeira semana aqui, não teve uma noite que não sonhei que estava no Japão e acordei desorientada sem saber onde eu estava. Mas agora que estou me acostumando com a ideia de estar de volta e as emoções se tornaram mais claras posso escrever com mais calma (apesar de ainda ser difícil).

Revendo tudo o que se passou desde que comecei os preparativos para o intercâmbio, vejo que fiquei com um pouco de medo da falta que meus pais fariam, fiquei com medo de não passar nas provas de nivelamento. Estava ciente de que estranharia a "frieza" do povo japonês e que meu japonês ainda não era suficiente. Mas jamais pensei na possibilidade de não gostar do Japão. Botei na cabeça que qualquer dificuldade que encontrasse lá eu seria capaz de enfrentar. Bem, eu fui! Mas tenho que admitir que as vezes parecia que seria impossível. 

Mesmo me acostumando  com o cotidiano de lá, mesmo com a rotina de ir pra faculdade, depois voltar e estudar, morar onde morei me abria tantas possibilidades que eu conseguia me surpreender quase todos os dias. Poder pegar a bicicleta e explorar lugares, ver gente diferente, comer coisas diferentes... Meu lugar favorito em Makuhari era um parque chamado Kasumi. Sempre ia lá pra caminhar ouvindo música. Tinha também o Sushiro e o Kappa sushi, dois restaurantes que eu visitava com muita frequência (e pensando nisso agora - 6 horas da manhã - me deu uma vontade absurda de comer o sushi de lá). O Aeon e Lalaport eram outros lugares onde ia com muita frequência pra fazer compras. E como eu comprei viu... Mas se está no Japão, faça como os japoneses, compre! Na Região de Tóquio o lugar que mais gostei foi Ueno. Era uma viagem meio cara, mas valia a pena porque o parque e o zoológico são lindos!! E Kamakura então? Um lugar tão calmo, cheio de templos pra visitar... Um sonho mesmo!! - outra coisa que preciso postar mais tarde!

Conversava com os meus pais pelo skype, acreditem se quiser, todos os dias! Era muito raro não ter assunto; sempre tinha algo pra mostrar, fotos pra postar, novidades pra contar. Quando cheguei aqui já não havia nada que meus pais não soubessem sobre as minhas aventuras no Japão!

Além das viagens e lugares que visitei, a oportunidade de conhecer o povo japonês bem de perto foi outro aspecto maravilhoso dessa experiência. Poder observar como pequenos atos e convenções sociais refletem o quanto o respeito, gratidão e responsabilidade estão enraizados na cultura desse povo; como funcionam as relações entre japoneses e estrangeiros e também entre si, como eles se vêem perante a sua sociedade... Tirei conclusões bem interessantes sobre essas coisas, gostaria muito de poder compartilhar com vocês mais tarde!

Porém, algumas vezes as diferenças culturais ficavam tão nítidas que chegava a incomodar. Algumas coisas simplesmente não entravam na minha cabeça. Por que a japonesa pode usar uma saia tão curta a ponto de eu conseguir ver sua calcinha quando ela sobe na escada rolante e eu não posso colocar meu decote comportado (eu juro que era cmportado)? Por que tenho que beber a mesma bebida que todo mundo bebe, ou comer o prato que todo mundo come só pra não fazer desfeita? Sou um pouco teimosa então tive certa dificuldade para aprender a lidar com essas pequenas regras, e o que não falta no Japão é regra viu?. Mas a razão pela qual morar no Japão foi uma experiência tão marcante e enriquecedora pra mim se deve tanto às coisas que eu já gostava na cultura desse país, as coisas que conheci e passei a amar e principalmente as coisas que eu não conhecia e não gostei! 

Não poderia terminar o post sem antes falar das amizades que fiz lá, correto?
Sei que muitas das pessoas que conheci por lá, eu não vou ver nunca mais. Mas tenho certeza que vou me encontrar novamente com outras! Quem sabe um dia conseguirei ir à Tailândia e ver a Somu, ou na Nova Zelândia e reencontrar a Roxy. Visitar a Espanha e ir ao karaoke com a Maria... Comer muito e ter conversas de mulher com June dos Estados Unidos. Quem sabe Taiwan e treinar meu japonês com a Kaoru... Quem sabe voltar ao Japão  e reencontrar todos os alunos de português, hein? Mas uma coisa é certa, estarei de braços abertos para recebê-los aqui!

Também só tenho a agradecer a todos e todas que acompanharam o blog! Algumas pessoas acompanham essa história antes mesmo do intercâmbio começar. Acho que vocês se lembram de todo o desespero e preocupação que foi esse processo né? Os comentários e o apoio de vocês me animou a continuar postando! muito obrigada, de coração!!! 

E hoje, quando me perguntam porque quis ir ao Japão eu continuo não sabendo me expressar direito. A única coisa que consigo dizer: É um sonho.


また会える日まで♥
Até nos encontrarmos novamente!


sábado, agosto 17, 2013 3 comments
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Olá, eu sou a Paula, Ilustradora e Designer. Compartilho minhas ideias e paixões neste blog desde 2009.

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