Disney's Redemption: Frozen

by - segunda-feira, julho 28, 2014

Atenção: Esse post contém algumas piadas sem graça e assuntos delicados! Esse post foi escrito há mais ou menos dois meses atrás e só agora o editei e postei

Hoje vamos falar de um assunto polêmico: mamilos os últimos filmes da Disney e a sua caminhada de redenção depois de tantos anos de princesas ingênuas e sem graça! Eu me segurei o quanto pude para não falar mal da animação mais recente do estúdio mas eu não me contive. Assisti Malévola hoje e um assunto recorrente na minha mente gritou por atenção mais uma vez...

Que a Disney anda tentando desconstruir tudo o que nos ensinou sobre o universo feminino não é novidade. Aquele papo de princesa indefesa, príncipes corajosos e amor a primeira vista não anda muito em alta ultimamente, o que é um alívio pelo menos pra mim que consegui me identificar mais com as vilãs de cada uma dessas histórias do que com as mocinhas em si, afinal, elas agem, demonstram emoções (normalmente de rancor e ódio, mas já é melhor que nada né?) geralmente têm personalidades marcantes... A questão é, o que e como a Disney está fazendo para (re)afirmar o papel feminino, lembrando que as antigas princesas se assemelhavam às mulheres e aos papeis idealizados à elas na época em que foram criadas. Lembrando também que isso é só a minha humilde opinião, e está tudo bem não concordarmos com tudo (mas o blog é meu então... X) )

Por que Frozen não é tão revolucionário quanto dizem?
Ah gente, essa é fácil. Em primeiro lugar Frozen está a milhas de distância de ser o primeiro filme da disney a retratar uma mulher forte e determinada que foge dos padrões do tipo: case, tenha filhos, viva e morra em casa. Não só está longe de ser o primeiro como está longe de ter sido o que melhor tratou do assunto.

O país de Elsa e Anna obviamente não apresenta obstáculos à coroação de uma mulher. Ser governado por uma mulher não parece ser algo que os cidadãos desaprovem, muito pelo contrário. Além disso a história de Frozen gira em torno não de um relacionamento amoroso entre um homem e uma mulher (ah não diga) mas sim o sentimento entre duas irmãs; relacionamento esse que foi pobremente explorado pelo roteiro, uma vez que as cenas em que elas realmente interagem correspondem a uns 10 ou 15 minutos; elas passam o resto do filme (bem uns 80% dele) sem nenhum contato!! Levando em consideração que a relação das duas é o foco dessa narrativa é importante que se estabeleça as duas como amigas de maneira forte o suficiente para que elas ainda depois de sei lá quantos anos separadas consigam sentir a mesma conexão da infância, e que nós, espectadores estejamos a par disso tudo também, claro. Mas isso não acontece. Temos uma cena no início bem engraçadinha das duas, muito pequenas, brincando, e depois uma amizade que conseguiu suportar, só deus sabe como, 15 anos de gelo (hehe sacaram? ok deixa pra lá). Não, o relacionamento delas, assim como suas próprias personagens, não foram tão bem aproveitados, muito menos desenvolvidos. Até conhecemos Anna, ela é desajeitada, ela sente falta da irmã, é sonhadora, é amigável... Elsa é... ok ninguém sabe. Nem de onde vêm seus poderes, se é heroína, anti-heroína, mas ela está lá, e é ela o gerador dos conflitos que colocam Anna em ação. Ela tem vários aspectos que poderiam ter sido aproveitados na maior parte do filme, precisa crescer emocionalmente, enfrentar os seus medos, seus próprios poderes, sua reclusão, mas todo esse desenvolvimento se concentra no final do final, já que a personagem que rouba a maior parte da cena é Anna, que não possui lá tantos conflitos internos, apenas muita ingenuidade e um pouco de apaixonite.

Fica claro aqui que o relacionamento entre as irmãs (mal desenvolvido) é o ponto central e é o que norteia a história? Sim? Então, um outro elemento foi somado a essa trama já meio capenga: o romance "arrebatador" de Anna pelo príncipe babaca que eu não sei o nome, e ele (o romance, não o príncipe) só está ali como uma justificativa para o final do filme e aquela cena toda do beijo que vocês já viram e tudo mais. O romance e a desilusão amorosa de Anna em contraposição ao amor fraternal com sua irmã não merecem tanta atenção por motivos de: NÃO ERA ESSE O CONFLITO PRINCIPAL DA TRAMA! A história, pelo menos a maneira como ela é apresentada a nós inicialmente, é de duas irmãs que procuram se unir novamente porque se amam, não de duas irmãs e a ideia de que "amor verdadeiro não tem nada a ver com rapazes mas sim um belo amor familiar!". É lindo e tal mas um extra não tão necessário num roteiro que já não estava tão bom pra começar... Não acho que isso não possa estar presente, só não é importante o suficiente para que se dê tanto valor assim.

Em resumo, Frozen é muito denso. Cheio de personagens: temos Elsa, Anna, Olaf, Sven Hans, Kristoff, o duque (?), os trolls... Cheio de cenários: castelo, montanha, castelo de gelo, a floresta dos trolls, o caminho que separa os dois castelos... Cheio de conflitos, além dos já citados vale acrescentar o duque que, mais uma vez, só deus sabe o por que de estar ali já que o cara não serviu pra nada, muito menos pra alívio cômico (o alce e o boneco de gelo já estão ali pra isso). Todos eles, porém, estão vazios e/ou mal construídos...

Em contraposição a Frozen eu poderia citar alguns filmes... Lilo & Stich e Brave, por exemplo, conseguiram de maneira bem menos desastrada e mais fluida tratar do tema do amor fraternal. Simples, eficaz, mas não menos emocionante. Com relação ao feminismo que todo mundo insiste em dizer que é o ponto principal de Fronzen, aí vai: Mulan!

Eu diria que esse filme sim trata de uma mulher que se destaca frente as outras. Ela vai contra a sua família, vai contra seu país, e principalmente vai contra tudo aquilo que foi imposto a uma mulher em sua época, e olha, vejam só, tudo isso é por causa de quem? De um homem? SIIIIM! Mas é o PAI dela! E consequentemente sua família. Hmm que amor familiar bonito hein? Enquanto a ideia central de Frozen era o amor fraternal regado com uma pitada de "bro before hoes" invertido, Mulan apostou não só no amor fraternal mas na transcendência de gêneros. Qual é gente, a garota fugiu de casa, se uniu ao exército, quase foi morta em campo de batalha, depois disso quase foi morta por estar ali sendo uma mulher, salvou a China, salvou sua família e a si mesma e ainda de quebra ganhou o coração do comandante (porque convenhamos que ninguém é de ferro e uns beijos na boca fazem bem depois de tanta luta). Toda essa trama se desenvolveu de maneira tranquila, dramática quando necessário, cômica quando preciso, com uma mensagem bem definida e bem entregue ao público. E não, não estou dizendo que Mulan é um filme que represente o movimento feminista (ou deveria representar, afinal algumas nem curtem o filme), ou que ele está isento de qualquer clichê ou preconceito que a disney normalmente coloca em todo filme que produz (mesmo que nem todo mundo note), ou que ele é um exemplo de animação que deva ser seguido. Estou dizendo que no quesito atribuído a Frozen, Mulan é um candidato melhor.

Por fim o que eu achei de Frozen? Não consegui assistir de primeira porque as músicas me irritaram, mas eu insisti numa segunda, e eu, pasmem, gostei! Me diverti, continuei não gostando das músicas, mas é um bom filme pra assistir num final de semana comendo pipoca quando não se quer pensar em muita coisa. Mas de forma alguma ele foi revolucionário ou tão importante quanto dizem que é. A Disney já produziu filmes mais poderosos e mais bem estruturados. Elsa é um personagem que se difere de muitas outras princesas, mas ela não é pioneira em muita coisa não...

Se você chegou até aqui, parabéns, vocês pode estar me odiando ou não mas era algo que eu precisava desabafar faz algum tempo, principalmente depois que vi Vidas ao Vento perder um oscar merecido (afinal, desde quando a academia premia um filme cujo tema é a humanização do homem que criou as armas que destruíram pearl harbor) para Frozen e seu roteiro desajustado... Ufa!

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1 comments

  1. Eu concordo com o que você disse!!!
    E até estranho de não haver comentários aqui debatendo sobre isso!
    Frozen não é tudo o que dizem, não é o melhor filme da Disney!
    É bonitinho e alegre e só isso!
    Achei TÃO paia no final do filme a Elsa deduzir que o amor iria derreter o gelo e__e
    Foi a coisa mais clichê e tosca que já vi!!!
    E sem contar que até parece que ela nunca sentiu amor,né? Fala sério!!!
    Se ela fosse vilã teria todo o sentido ela descobrir que o amor iria reverter o gelo!
    Mas ela era mocinha, amava a irmã e a família! Pelo menos em algum momento da vida dela ela deve ter sentido amor e bem-querer pelos entes queridos...Achei super FAIL isso.
    E achei terrível não terem explicado de onde vem os poderes dela...tipo...isso era super importante pra ela entender e controlar os poderes! Uma falha gravíssima!
    O filme realmente foi voltado pra criancinhas...=/ Uma pena!

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